D. Resposta a um Leitor – Referente à Série “Quando a Jerusalém Antiga Foi Destruída?”
Mantive uma rápida comunicação com um leitor que é da religião “Testemunha de Jeová”. Tudo começou quando deixei uma mensagem no blog que ele possui onde cita os argumentos publicados na série de artigos da Sentinela intitulada “Quando a Jerusalém Antiga Foi Destruída?”, que estão nas edições de outubro e novembro de 2011. Estes artigos dizem que Jerusalém foi destruída pelos babilônios em 607 a.C., ao passo que todos os livros de história dizem que foi em 587 (ou 586) a.C. Na qualidade de moderador, porém, ele não permitiu que o meu post aparecesse no referido blog. Ao invés disso, me enviou um e-mail reclamando da matéria que publiquei sobre os artigos supracitados da Sentinela.
Eu não tenho interesse em discutir essas informações com pessoas que pertencem à religião da Torre de Vigia (“Testemunhas de Jeová”). Por esta razão, decidi publicar nesta página a comunicação que tive com o leitor mencionado. Caso outros leitores com a mesma orientação religiosa queiram me escrever também, sugiro que leiam primeiro a minha resposta abaixo, pois não pretendo ficar respondendo e-mails dessa natureza.
De qualquer modo, no decorrer dos últimos anos, os e-mails que já recebi de leitores “TJs” são quase sempre muito parecidos. Eles possuem uma espécie de raciocínio coletivo “padronizado”, com raras exceções:
1º) Dizem que não conheço bem o assunto tratado.
2º) Que a matéria que escrevi não tem nenhum fundamento.
3º) Que as “Testemunhas de Jeová” é que conhecem bem o que foi abordado.
4º) Não escrevem absolutamente nada que prove as três afirmações acima.
5º) Se escrevem alguma coisa, redigem textos confusos e com fracas explicações.
6º) Quando se vêem finalmente sem argumentos convincentes, recorrem à críticas ofensivas.
— x —
Em 30/09/11, postei o seguinte comentário no “blog” Tradução do Novo Mundo Defendida:
Olá!
Pelo que percebo nos comentários publicados em seu blog, parece que você passou apenas a vista nos argumentos a favor de 587 a.C., pois tal data realmente não causa essa destruição no entendimento dos relatos bíblicos que você mencionou. Já a data 607, por outro lado, trás alguns problemas. Por exemplo, a profecia bíblica diz que o rei de Babilônia só seria punido quando os 70 anos terminassem (Jer. 25:12). Vocês dizem que os 70 anos terminaram em 537. No entanto, o rei de Babilônia foi punido em 539, dois anos antes!, quando o rei persa Ciro marchou contra aquela cidade e destituiu o rei de Babilônia, matando-o naquele mesmo dia. Ou seja, aceitando-se a cronologia da Torre de Vigia, a profecia se cumpriu 2 anos antes do prazo.
Se quiser se aprofundar um pouco mais no tema, eu publiquei um comentário sobre esses artigos recém lançados da “Sentinela”, que pode ser visto neste link.
Tenho três amigos que são Testemunhas de Jeová PRATICANTES e de boa conduta e, devido a diversas conversas que tivemos nos últimos anos, eles chegaram à conclusão de que a data 607 AEC realmente está errada. Mas não querem sair da religião, pois sabemos como é difícil, devido aos vínculos criados lá…
Depois de enviada a mensagem, apareceu este aviso: “Seu comentário está aguardando moderação.” E assim permaneceu até hoje…
Em 30/09/11, “Professor de Inglês hebraico e Grego, Friend” escreveu:
Me diz… além do equivoco que acha ter encontrado no ensino das TJ relativo ao ano da destruição de Jerusalém, o que mais acha que está equivocado na doutrina da organização das Testemunhas de Jeová?
Poderia me citar mais 3 exemplos ou mais
Aguardo sua resposta
Att
Rodolfo*
* O nome foi trocado.
Em 30/09/11, respondi:
Olá!
Antes de responder, me diz só uma coisa: você leu a série de comentários que eu publiquei? Pois eu não gostaria de passar para outro assunto antes de concluir o primeiro. Mudança de foco dispersa o raciocínio e ficaríamos andando em círculos…
Um abraço,
—
Adelmo Medeiros
Em 01/10/11, “Professor de Inglês hebraico e Grego, Friend” escreveu:
Sabe quando as TJ conversam de casa em casa com as pessoas… observei há uns 25 anos atras e desde então, que mudar de assunto é justamente uma regra para os da Assembléia de Deus, batistas, Evangélicos e protestantes em geral. Tenho observado que evangélicos leigos, que não é o seu caso, mas infelizmente é o caso da maioria com seus cultos emocionais, não possuem capacidade para entender nem os ensinos básicos da bíblia. Nos últimos 20 anos tenho perguntado o que significa da palavra “evangelho” todo tempo a estes e se dentre 10 evangélicos ou protestantes uns 3 souberem responder esta pergunta, é MUITO!
Eu lí sim seus comentários, e observo que tem um espírito contencioso e antagonista em relação as TJ. Sua pesquisa é distorcida ao meu ver e cheia de equívocos e pressupostos que são equivocados. Sobre tais vc alicerça seus argumentos. Não acho legal continuar falando sobre um assunto profundo e longo uma vez que estou certo de que como a maioria dos seus correligionários vc não entende nem o básico. A menos que me mostre o contrário. Daí terei prazer em continuar este debate.
O volume de assunto e a profundidade de pesquisa envolvendo datas e acontecimentos relacionados com o ano de 607 é um terreno fértil para vcs fazerem justamente o que vc sugeriu que eu estaria fazendo. Usar de verbosidade em um assunto complexo e amplo é apenas uma estratégia. Não estou evitando falar sobre a data de 607, somente quero saber se vc se dedicou a este assunto na tentativa de usar de argumento e discurso prolixo carregado de enorme volume de material. O que superficialmente parece até plausível e bem pesquisado mas que , devido ao trabalho que se demanda para ter cada afirmação como fato comprobatório, pode acabar sendo aceito por alguns sem ser contestado.
Então por favor, me responde o que é o inferno , por exemplo. Daí poderemos prosseguir com o assunto sugerido
Att
Rodolfo
A seguir, a resposta que enviei em 01/10/11:
Olá Rodolfo,
Primeiramente, parabéns por ser professor de inglês, hebraico e grego. Eu também gosto desses idiomas, e já estudei os três. Na faculdade de Letras, além de grego, eu estudei o latim.
Bem, você está muito enganado sobre mim. Não tenho espírito contencioso. Detesto brigas. No entanto, uso de franqueza ao escrever, sempre tento encontrar o melhor embasamento possível e procuro não ser parcial. Além do mais, não me interessam os dogmas de qualquer religião. Para mim, todas têm aspectos negativos e positivos, inclusive as “Testemunhas de Jeová”. É tanto que até já defendi vocês em alguns assuntos, e fui criticado por isso. Mas não tenho nenhuma ligação emocional e social com tal religião, ao contrário de você, por exemplo.
Você disse:
“Sua pesquisa [sobre cronologia neobabilônica] é distorcida ao meu ver e cheia de equívocos e pressupostos que são equivocados.”
O certo seria você ter enumerado quais pontos você acha que estão equivocados e comentado o que você imagina ser o correto. Declarações genéricas assim normalmente são utilizadas por pessoas que perceberam algo de errado em sua crença, após lerem uma refutação a ela, mas não querem “dar o braço a torcer”.
Mas não lhe condeno. É uma reação absolutamente normal, pois faz parte da natureza humana. Lembre-se que o apóstolo Paulo antes de aceitar Jesus Cristo perseguia os cristãos, achando que Deus não tinha nada a ver com o ensino deles, visto que os judeus é que são a descendência de Abraão, originalmente escolhidos por IHVH. Foi preciso que o próprio Cristo aparecesse para ele, para que abandonasse suas crenças preconceituosas. No entanto, visto que Jesus não irá aparecer para aqueles que forem teimosos em admitir a fragilidade do ensino sobre 607 AEC, restará para eles apenas a faculdade de raciocínio dada por Deus. Faço votos que você ou quaisquer outras “Testemunhas de Jeová” usem sabiamente esse presente do Criador, quando acessarem meus artigos sobre história neobabilônica.
Na verdade, eu não tenho interesse em discutir esse assunto com nenhuma “Testemunha de Jeová”, pois, além de eu não ter o tempo necessário para isso, a Internet está repleta de boas informações para os pesquisadores dedicados, humildes e sinceros, conforme indiquei no comentário publicado em meu site. Fique à vontade para pesquisá-las.
Eu só escrevi essas considerações porque história antiga é um assunto que me interessa, e por não ter encontrado nenhum artigo com a resposta que a série da Sentinela merece (mas é certo que logo surgirão algumas refutações). Quando vi afirmações absurdas e insustentáveis nessas matérias, me senti na “obrigação” de escrever algo a respeito. Acredito que as pessoas que se interessam por “cronologia bíblica” acharão nos meus artigos algumas informações úteis. Eu comentei aspectos religiosos apenas porque foi necessário, para um melhor entendimento do assunto. Senão os leitores não-TJs poderiam ter dificuldade para perceber as nuances provindas do dogmatismo da Torre de Vigia, no que diz respeito ao objeto do estudo que publiquei.
Agora vai um conselho de amigo. Se você percebeu que realmente existe algo de errado com esse ensino da Torre de Vigia, prossiga estudando. Se aprofunde no assunto! Foi o que eu fiz. Não é vergonha para nenhuma “Testemunha de Jeová” reconhecer que foi enganada, e admitir que o ano 607 AEC nunca poderia ser a data correta para a destruição de Jerusalém. E há realmente pessoas que são da religião “Testemunhas de Jeová” que não acreditam mais na data 607. Por que, então, elas não largam essa religião? Laços de amizade, vínculos parentais, necessidade de se congregar num ambiente conhecido etc. Além disso, não querem se submeter ao ostracismo da política não cristã da desassociação. E note que essas pessoas não mudaram de opinião do dia para a noite. Quase sempre foi mediante um processo demorado, fruto de muita reflexão e estudo.
A tendência de muitas “Testemunhas de Jeová”, quando encontram uma refutação de alto nível a uma de suas crenças, é lutar com “unhas e dentes” para provar a “falsidade” do ensino dos “apóstatas” e “opositores”. Contrariando até mesmo orientações do núcleo central da religião, passam a publicar artigos a favor da Torre de Vigia. Isto é uma prova que os textos da Torre de Vigia não satisfazem nem mesmo seus seguidores, por isso eles se sentem impelidos a fazer o que ela não faz, isto é, tentar refutar os que falam dos ensinos dela…. Mas, aquelas pessoas que forem sinceras e realmente se aprofundarem nos assuntos, com certeza acabarão caindo em si e voltando às origens daquele Cristianismo simples do século I, que era quase que totalmente desprovido de dogmas. Entretanto, é claro que sempre existirão os teimosos que nunca darão “o braço a torcer”, e continuarão sempre distorcendo os fatos para fazer a sua religião parecer o que ela realmente não é, uma religião sem dogmas ou mandados de homens… As “Testemunhas de Jeová” são campeãs absolutas nesses quesitos! (dogmas e mandamentos de homens).
Para concluir, reitero que não tenho interesse em ficar trocando e-mails sobre esse assunto. Continue pesquisando que, com o tempo, você terá elementos suficientes para decidir se sua crença está correta ou não. Por enquanto, você ainda está na fase da defesa “irracional”. Pode ser que brevemente você passe para outro estágio, no qual não se preocupará prioritariamente em defender sua religião e raciocinará melhor sobre o que leu nos meus artigos.
A propósito, os anciãos da sua congregação sabem que você publica defesas a favor da Torre de Vigia? Talvez saiba que um certo Sebastião Ramos fazia o mesmo e foi desassociado por insistir nessa prática. Em seguida, ele denunciou o caso ao Ministério Público Federal e um processo judicial foi aberto contra a Torre de Vigia, por discriminação.
Felicidades!
Adelmo Medeiros
P.S.:
Inferno: palavra latina que equivale à palavra hebraica Seol e à grega Hades. Esses termos são usados para se referir ao lugar para onde vão os mortos, tantos os maus quanto os bons. – veja Lucas 16:19-31.
Em 17/10/11, “Professor de Inglês hebraico e Grego, Friend” escreveu:
Mais uma vez críticos das Testemunhas de Jeová falham em reconhecer que A CITAÇÃO feita pela revista A Sentinela de 1º de Novembro de 2011 (referente a discussão sobre a data de 607) conforme declarações feitas pelo Dr. Ronald H. Sack É CORRETA. Quanto a conclusão do autor das declarações, esta, não é a questão.
Se alguns acham que a Sentinela está inferindo que o autor das declarações acredita na data de 607 como sendo a data correta para a destruição de Jerusalém pelos Babilônios, eles estão cometendo um erro. O Dr. Ronald H. Sack diz que historiadores precisam recorrer a “fontes secundárias . . . na esperança de determinar o que realmente aconteceu” no que concerne a datas deduzidas a partir de documentos cuneiformes. Tal reconhecimento é relevante nesta discussão e foi apropriadamente citado pelas Testemunhas de Jeová. Os críticos do artigo de A Sentinela tomam essa declaração como se as TJ estivessem dizendo que o Dr. Ronald Sack estivesse apoiando as TJ em suas conclusões. Nenhum dos eruditos citados na revista defende que Jerusalém foi destruída em 607 AEC.
Eilat Mazar também é citada numa outra publicação das Testemunhas de Jeová, todavia, antagonistas das Testemunhas de Jeová tem fomentado confronto entre os Editores de A Sentinela e tais historiadores ou pesquisadores seculares por afirmarem ou repetirem na internet a falsa acusação de que tais estudiosos estão sendo “falsamente representados como alinhados com o pensamento da Watchtower” referente a data de 607 em detrimento de 587 A.E.C
Essa tática nos lembra muito bem a forma caluniosa com que os demônios são citados nas Escrituras.
Aqueles que são “acusador[es] de nossos irmãos [os quais nos] acusam dia e noite perante o nosso Deus”. Apocalipse 12:10.
Sabemos que o reconhecimento do Dr. Ronald e por ele assinado é relevante demais para o assunto e não deve ser ignorado nesta discussão nem deliberadamente omitido assim como fazem os que defendem de modo insistente a inescriturística e antibíblica data de 587A.E.C
Sabemos também que citá-lo em seu reconhecimento de um fato é algo que obviamente o perturba, mas longe de ser uma distorção, citar seu reconhecimento demonstra a base fraca na qual é edificada o calculo secularmente aceito para a data da destruição de Jerusalém. Mencionar tais fatos é antes, uma evidência de honestidade e profundidade da analise feita pelas Testemunhas de Jeová.
O que muitos opositores ignoram no artigo de A Sentinela é o seguinte comentário feito (W 01/11/2011) *Nenhum dos eruditos citados defende que Jerusalém foi destruída em 607 AEC.
Pergunte-se por que omitem essa declaração clara feita no artigo?
Em 17/10/11, mandei o seguinte para esse leitor:
A observação a que você se refere no final, mencionada na revista, não foi omitida. Veja outra vez:… (neste link)
Novamente, você não disserta sobre nada. Não pondera o assunto. Não tenta provar o que diz. Faz apenas afirmações preconceituosas, e recorre a dogmatismo ofensivo. Mantém-se apegado à conclusões precipitadas.
Continue estudando…
—
Adelmo Medeiros
Nenhuma novidade no que a “Testemunha de Jeová” acima escreveu. Para ele, os que expõem as falhas cronológicas da Torre de Vigia se comportam que nem demônios e, como se não bastasse, ainda colocam os eruditos contra os editores da Sentinela.
Exatamente os seis pontos que eu falei no topo desta página…
